Galerinha ... esse texto é um comentário que fiz para o livro de Luciano Mattos, que será lançado em breve. Espero que curtam...

A arte é um dom divino que nasce dentro de todo homem. Alguns durante a vida descobrem que são artistas e lapidam esse diamante de Deus, outros não percebem o poder que a beleza tem, e não arrancam de dentro de si a poesia, o amor, nem a possibilidade de libertar-se da dor e da amargura que a vida às vezes lhes causa.

Na faculdade me disseram que arte é a capacidade que o homem tem de expressar sentimentos, idéias e emoções. Eu concordo e sei que todo artista tem um carisma que não é só seu pois vem de Deus, é manifestação do divino. O artista mexe com quem está perto e com quem está longe. Aquele que tem contato com a arte muda. Não existe possibilidade de ter contato com a arte e continuar sendo sempre o mesmo.

Eu já fiz teatro, escrevi peças, interpretei, e experimentei a força e o poder dessa manifestação do divino. Entrar no universo artístico teatral é mergulhar dentro da religião. Fazer teatro é encenar a poesia. Adélia Prado, poetisa mineira, escreveu que "A experiência poética é sempre religiosa, quer nasça do impacto da leitura de um texto sagrado, de um olhar amoroso sobre você, ou de observar formigas trabalhando" O sagrado está na criação e não só dentro dos templos, e o teatro pode resgatar a sacralidade desse dom que é o de interpretar e assumir personagens que retratam a ficção ou a realidade, e nos fazem sonhar. O artista nunca se arrasta, ele está sempre voando porque sabe que a maior liberdade é ter o céu, sem esquecer da terra.

Não concordo quando dizem por aí que poucas pessoas gostam do teatro. Muitas gostam da arte, gostam de teatro mas ele virou produto de consumo e na maioria dos casos poucos podem pagar por ele. Um ingresso individual para assistir à uma peça pode custar R$ 150,00. Quando um espetáculo é acessível, tudo muda. A casa fica lotada não só com a elite, mas com pobres e ricos, todos provam desse mundo artístico democrático.

A paixão pela arte é a paixão pelas diferentes manifestações do Belo, que é Deus. Fazer teatro na Igreja é também um jeito de democratizar essa arte, tornando-a acessível a todos. Quem conhece o teatro, se apaixona por ele. Chora pelo personagem no palco e pelos personagens ilusórios que criou durante a vida. Uma peça de teatro pode ser uma peça de teatro e só; mas se você mergulhar no mundo da arte ela pode ser um convite à autenticidade, a aceitar as diferenças do outro e a sua própria diferença; um convite para que você assuma o papel de ser você mesmo, e não outro personagem.

Eu preciso me repensar, repensar o mundo, minhas relações. Se a correria me fez perder o rumo, o sentido e a qualidade da minha vida é preciso experimentar a arte. O teatro tem esse poder de mostrar-nos um pedaço da vida, ele nos atinge, nos tira da rotina, nos move.
Espero que o livro do Luciano encontre eco não só nas paróquias, grupos de oração e novas comunidades, mas também seja um instrumento de estudo e celebração da arte teatral dentro das escolas, universidades e cursos de interpretação. A arte como expressão do Belo, do divino, precisa ser resgatada com muita audácia e aqueles que estão tendo contato com este livro com certeza são convidados a serem os agentes da implantação de uma cultura teatral que deixa no coração das pessoas as pegadas do Grande Artista: Deus!

Não podemos ter medo algum de trabalhar com teatro, religião, propagação do evangelho e dos valores éticos e cristãos. Dentro da obra O Espelho de Machado de Assis, encontramos o texto Idéias sobre teatro, no qual ele afirma que: "À arte cumpre assinalar como um relevo na história as aspirações éticas do povo – e aperfeiçoá-las e conduzi-las, para um resultado de grandioso futuro. O que é necessário para esse fim? Iniciativa e mais iniciativa". Escrever um livro como esse é uma iniciativa e tanto. Acredito que o Luciano começou a fazer a parte dele. Cada um precisa descobrir a sua, e partir para a ação.

Rainer Maria Rilke que entendia a arte como uma atividade religiosa dizia que o "Belo é o trágico que contemplamos sem que ele possa nos destruir." Os gregos criaram o teatro a partir de suas experiências religiosas. Um gênero que intriga a muitos é a tragédia. Muitos gregos iam ao teatro para ver a tragédia e porque suportavam ver esse tipo de representação e voltavam para ver outra do mesmo gênero? Porque a arte e a beleza transfiguravam as tragédias dando-lhes novo significado sem as destruir e sem destruir os que assistiam.

Sei do trabalho que o autor faz com os jovens e adolescentes da Comunidade Aliança de Misericórdia e da FEBEM, ministrando aulas e fazendo algo semelhante ao que os gregos faziam com a arte. Diante da tragédia da vida desses meninos e meninas a Beleza lhes transfigura a vida e lhes enche de coragem para encarar os sofrimentos inevitáveis da existência com um olhar de esperança.

O homem pode escolher ser o que quiser na vida. O caminho das artes é um dos mais belos. Quem é artista, torna-se imortal, eterniza sua vida, mente, jeito, gostos, amores e revoltas. Oscar Wilde no livro O retrato de Dorian Gray disse que "revelar a arte e encobrir o artista é a razão de ser da arte!" O Luciano escolheu a melhor parte! Que Deus o abençoe, que ele diminua e que a arte cresça! Que ele diminua e Deus, o Belo, apareça!

Diego Fernandes
Comunidade Canção Nova
Autor dos livros
- Fala Sério! é proibido ser diferente?
- Orações curtinhas

6 Comments

  1. Anônimo Says:
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  2. Aurinha Says:

    Diego...
    O comentário ficou ótimo e cheio de verdade. A arte tem o poder de mexer com a gente, de ir fundo, de gerar transformação.
    O trabalho que a Com. Aliança de Misericórdia realiza é maravilhoso.
    já tive a oportunidade de assistir uma apresentação do grupo de teatro no Thalita Kum, muito lindo, me levou as lágrimas, é cheio de emoção, de criatividade e de Deus.
    Já estou com vontade de ler o livro...rs
    Um abração.

     
  3. Alexandra Says:

    Oi Diego,
    Quanto tempo, amei seu blog...Peço a Deus todos os dias para iluminar cada vez mais o seu trabalho que tem ajudado tantas pessoas. Abraços,

    Alexandra da Cunha
    Balneário Camboriú

     
  4. Suzerley Faustina Says:

    Oi Dí, Adoro a CN, e a cada dia é mais e mais gratificante ver a dedicação e o Amor com que você faz seus trabalho. Assim como este belo comentário. Na festa do Cantinho 09/10 comprei seu livro "Orações Curtinhas" para minhas filhas e afilhadas, como presente do Dia das Crianças e elas Amaram. que Deus continue sempre Abençoando sua Vocação e seu namoro também. Com Carinho Suzerley.
    Obs.: Sou nova neste mundo virtual, por isso gostaria de pedir uma dica: como faço para autorizar comentários no meu blog? ou é automático? pois ainda não tem nenhum... se for possível visite e seja o primeiro a me deixar não só um recadinho, mas uma Oração Curtinha também.Obrigada e desculpe-me pelo abuso... rsrsrs.

     
  5. Suzerley Says:

    www.czntinhodasuzerley.blogspot.com
    suzerleyfaustina@hotmail.com

     
  6. Camila_efeta Says:

    Excelente artigo!
    Comentário nota dez!
    Fazer arte, saber apreciá-la e entender que Deus a inspira, mesmo quando ela não é religiosa. é Ele o Senhor da criatividade, da beleza.
    Adorei!