O Brasil é um país que tem muitos outros dentro de si. É nessa mistura de “brasis” que temos uma realidade cultural gigante e surpreendentemente enriquecedora. Olhando os caminhos brazucas, suas músicas, comidas, festas e tradições é impossível não perceber a beleza presente na simplicidade cultural.

A orquestra sinfônica é cultura, o teatro amador, o cortador de cana, o camarão na moranga, e também o bolinho caipira. Para que o Brasil seja realmente orgulhoso de si mesmo há de se pensar expressões como “centro culturais”. Isto pode refletir quanto os regionalismos precisam ser cultivados, valorizados e celebrados! Sim, Rio, São Paulo, Brasília, e as grandes capitais contribuem enormemente para a luminosidade das “ províncias”. Mas e as regiões que não tem o glamour cultural? Ampliar nosso conceito de cultura é algo URGENTE!

O samba é cultura? Sim, mas é UMA expressão cultural! Ter um sambista como Ministro da Cultura fortaleceu ainda mais a visão que os estrangeiros têm do Brasil: “Samba, mulher bonita e futebol!” Não podemos fechar os olhos para a distorção e reducionismo da cultura brasileira. Somos mais que isso, somos samba, futebol, mulher bonita, pessoas com garra, forró, brega, churrasco, acarajé. Somos “Bah!” e “Uai”! e muito, muitooooo mais!

Quem não gosta de regionalismos certamente não conseguirá ler as obras de literatura do grande Guimarães Rosa. Para quem lembra e tem idade para isso, ou como eu se atreve a fazer algumas pesquisas em livros, com amigos, e na internet, deve recordar que na década de 30 o Estado Novo do ditador Getúlio Vargas promoveu a “invenção da cultura nacional”, mandando queimar publicamente as bandeiras regionais. Ele julgava ser perniciosa a presença de regionalismos e como toda ditatura promoveu a uniformidade excluindo a diversidade cultural dos interioranos e impondo uma identidade cultural padronizada.

Cada região precisa ser valorizada. É urgente mostrar para os de dentro e os de fora, o quanto temos para crescer e é triste olhar um país com tanta riqueza cultural sendo uniformizado. Os meios de comunicação de massa têm um grande desafio: mostrar qualidade e variedade de matérias que fortaleçam a sua região. O povo quer se ver na TV! O Brasil é isso...mas o Brasil é mais! Existe carnaval no Rio, em São Paulo, no sambódromo, mas há também muitos outros carnavais! Há os que preferem praia, outros retiro! O homem tem sede de Deus! Tem sede de paz e equilíbrio! E o crescimento das pessoas que buscam a espiritualidade nestes nossos feriados é enorme. É um dado cultural. Isso precisa ser mostrado.

Que cada região celebre seus costumes e mostre que há muitos mais carnavais e “jeitinhos brasileiros” do que imaginamos e vemos nos “massivos meios”...

Diego Fernandes
http://diegofernandes.blogspot.com

2 Comments

  1. Leandro Bahia Says:

    E aeh, Diego! Tudo bem?
    Cara, me chamo Leandro Bahia, sou de Brasília!! Conheço a Canção Nova há algum tempo... infelizmente, nunca consegui sintonizá-la em minha casa, o que me impede de acompanhar a programação.
    No acampamento de ano novo, e agora no de carnaval, tive a oportunidade de saber sobre o seu blog!
    Realmente, você é um cara muito ungido!!
    Que o Senhor continue a encher sua vida com muito discernimento e sabedoria!!
    Conto com suas orações!!
    Abraço,

     
  2. Lízia Costa Says:

    Os meios de comunicação de massa costumam forjar/forçar a realidade. Não creio que seja intencional. Acredito que a construção da realidade pelos MCM são mto mais uma falta de tempo, de espaço e de interesse de mostrar o todo do que o interese de marcarar. Os lugares ganham referencias, como se fossem únicas. Falam na Bahia e a referencia é sempre Axé, Feriados e Praia. Esquecem que existe um povo bonito, cheio de cultura e vontade de vencer. Falam e Minas como o povo roceiro, que mal sabe conversar. Esquecem que neste estado despontam pesquisas e tecnologias que revolucionam. Falam do Rio e pensam em samba, praia e tráfico de drogas. Mas cadê o povo de verdade.? É uma tendencia pegar uma caracteristica e generalizá-la. Mas o ideal é ir contra esta corrente e cada vez mais mostrar o particular, os detalhes, os diferentes, os regionais. O Brasill não é só o país do samba e futebol, assim como os Estados Unidos não é um país que só pensa em dinheiro e que não produz cultura. Seria diminuir muito o potencial do ser humano de ser diferente, de produzir e ser cultura.